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Certas Ruas de Porto Alegre - De 1772 a 2020

Adeli Sell - Volume I



ÍNDICE

APRENTAÇÃO

INTRODUÇAO

RUA DAS DONAS

RUA DAS MULHERES DO POVO

RUA DAS MÉDICAS

RUAS DAS ‘OUTRAS MULERES’

RUA DOS TELES

RUA DOS NEGROS

RUA DOS INDIOS

RUA DOS ESTADOS BRASILEIROS

RUA DAS CAPITAIS BRASILEIRAS

RUAS CURTAS DO CENTRO HISTÓRICO

RUAS COM ‘NOMES ESTRAHOS’

RUA MAIS BONITA DA CIDADE

RUAS DO IV DISTRITO

RUAS DA ZONA NORTE

OUTRAS RUAS

ANEXOS I – CRÔNICA DE UMA RUA - A RUA DA PRIA

II- CRÔNICA DE UM BAIRRO - BURGO SEM ÁGUA - Reflexões acerca de livro de Guido Mondin

III - RELATOS REAIS

1 - Era uma vez um Centro Histórico

2 - Brique da Redenção: 40 anos construindo história

IV - UMA RESENHA - Porto Alegre e seus eventos insólitos

V – HISTÓRIA DOS BAIRROS – HISTÓRIA DO BAIRRO SANTA MARIA GORETTI

VI – BIBLIOGRAFIA



APRESENTAÇÃO


AS RUAS DE ADELI

Jorge Barcellos – Historiador, Doutor em Educação pela UFRGS

Autor de 2.385 proposições em cinco mandatos, Adeli Sell possui uma trajetória política exemplar. Na Câmara Municipal de Porto Alegre, onde é vereador, Sell é autor de 176 Projetos de Lei, 1.121 Pedidos de Providência oficiais, 320 Pedidos de Informação, afora os que são feitos por e-mail, whatsapp etc, 181 Requerimentos entre tantas outras iniciativas. Vereador ativo, participante do debate público, com agendas bem definidas na área da economia, educação e cultura, a obra Dez anos de Legislação Municipal (2002-2011), registra duas iniciativas suas de destaque: a criação do dispositivo para cancelamento de licença no caso de produtos ilegais, inspirado na sua experiência como Secretário Municipal de Produção, Indústria e Comércio e a organização do Colóquio “A educação infantil e a cidade de Porto Alegre”, onde promoveu o debate com representantes públicos o diagnóstico das condições das creches comunitárias. Com tamanha atuação no campo político, Sell já teria contribuído acima da média para a construção de uma Porto Alegre melhor para todos. Mas ele quis mais.

Agora Sell nos surpreende com a publicação de Certas Ruas de Porto Alegre, sexta obra do autor tratando sobre a cidade. Sell nasceu na cidade de Palhoça/SC, em 1953. Filho de pequenos agricultores, é um homem que ama a terra, o lugar, espaço do desenvolvimento sustentável, vindo para Porto Alegre em 1972 para cursar Letras na UFRGS. A ligação de Sell com a cultura politica está dada: tornou-se professor de literatura, livreiro e fundador do PT. Sell não para de se reinventar: hoje é acadêmico de Direito, escritor e consultor, além de estar em seu quinto mandato. Autor de Ninguém vive sem política (2002), Pirataria aqui, não (2004), Porto Alegre: A Modernidade Suspensa (2010), Circuitos da Cidade: do Boteco à Utopia (2015), Ensaios: Brasil, crise e disputa de um projeto de Nação (2016), seu tema dominante é a cidade de Porto Alegre e o futuro do país.

Por que a cidade? Sell é essa espécie de ‘flanêur”, o substantivo masculino francês que basicamente significa ‘andarilho’. Certas Ruas de Porto Alegre é exatamente isso, o passeio pela história e aspectos das ruas da capital. O termo foi inventado por Charles Baudelaire (1821 – 1867) para se referir aqueles que observam a cidade e seus arredores e experimentam por isso um passeio não só físico mas também filosófico pela forma de ver e sentir a cidade. Isso fica evidente na forma histórico-ensaístico-literária da obra, que combina pesquisa do autor com escritos de circunstância.

O que se destaca na visão de Sell é a escolha, as ruas pelas quais caminha. Essa tipologia é original: ruas de Donas, Mulheres do Povo, Médicas, Negros, Índios, Estados Brasileiros, uma seleção particular, produto de novas categorias de arranjos sobre as ruas da cidade emergem. Sell conhece essas ruas, esteve nelas, e é este olhar que é interessante, pois é um caminhar exatamente como deve ser, caminhar por caminhar, sem pressa para chegar de um lugar a outro, que inclui, por certo, um certo questionamento das formas de organizar a apresentação das ruas da cidade – sempre alfabética demais, organizada demais.

A historiografia das ruas de Porto Alegre é muito reduzida e por esta razão, a obra de Sell é fundamental. A grande referência e inspiração do autor é o Guia Histórico de Porto Alegre, de Sérgio da Costa Franco – que Sell usou à exaustão - obra notável, pesquisa exaustiva. Mas também Logradouros públicos em Porto Alegre: presença feminina na denominação, editado pela própria Câmara Municipal e hoje esgotado. Dos irmãos-médicos Nicolau e Genaro Laitano, Ruas de Porto Alegre: médicos homenageados com seus nomes, é outra obra que ensina que há um olhar específico para cada rua da cidade. De todos estes autores, Sell mantém uma diferença no estilo, na prosa leve, que é quase uma anotação de viagem e que lembra em parte a obra de um dos fundadores da história de Porto Alegre, Antônio Alvares Pereira Coruja. É possível ver sob o texto de Sell aquela simplicidade e leveza dos primeiros cronistas da cidade, o que é encantador. Não é toa: ambos descreveram a cidade após períodos fundamentais de sua história: Coruja, descreve a cidade após o período da Revolução Farroupilha enquanto Sell descreve a cidade enquanto avança em seu processo de metropolização.

Não é de menos. O século XX deu à capital uma experiência de grande expansão urbana. Porto Alegre cresceu em uma escala sem precedentes, gerando processos de metropolização, conurbação e expansão com a região metropolitana. Nessa nova fisionomia urbana, cada vez de maiores extensões, como recuperar a experiência de andarilho por nossa cidade? Sell nos faz descobrir as ruas escondidas da cidade, sua história e cultura, se infiltrando nas ruas, percorrendo bairros, evitando aceitar as transformações do capital como algo natural. E nesse caminho, redescobre o design tradicional da cidade no moderno, facilita nosso passeio pela capital, pelas ruas que encarnam a cultura, algumas fora do centro, inclusive, para o desespero do leitor a pé.

Ainda que a forma de organização torça o nariz do leitor tradicional, porque Sell incluiu uma série de anexos, isso ocorre pela necessidade do escritor emergir junto com o historiador. O dicionário de ruas não se pretende completo, é claro, mas é suficiente para oferecer as informações básicas de cada rua e de seus personagens, enquanto que o anexo sugere um conjunto de crônicas livres que o autor deveria considerar um capitulo a mais, mas que ocultam que são o passeio livre do autor por suas impressões, experiências e leituras, como o faz da obra de Rafael Guimaraes, Relatos Insólitos de Porto Alegre.

Que o leitor, inspirado por Sell, caminhe pelas ruas de Porto Alegre e crie seus próprios itinerários, experimente leituras da cidade, transforme-se também em “flaneur”. Pois, se o autor tem suas ruas do coração, é preciso que cada um encontre as suas ruas da cidade também em seu íntimo. Caso contrário, se perderá, de uma vez, a riqueza da experiência da vida na cidade e o prazer que o estar-junto possibilita vitalidade que nos caracteriza como comunidade e como civilização.


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