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Era uma vez um Centro Histórico




O Centro Histórico de Porto Alegre, já foi espaço nobre para o porto-alegrense e aos turistas. Na década de 50 era densamente edificado e tinha a Rua da Praia como a principal passarela da elite, transformada em zona do comércio elegante, atraindo também a instalação de inúmeros cafés, confeitarias, cinemas e restaurantes. Aos poucos, ela se tornou o espaço referência para a cultura urbana, onde circulavam bens e ideias, espaço de cultural e literária da cidade.


A decadência do Centro Histórico iniciou quando se deu permissão, nos anos 60, para que ali atuassem camelôs cegos. Entretanto, logo não somente os cegos se instalaram, mas uma multidão de outros comerciantes informais. Hoje, o que se vê é um lugar que assusta o morador da cidade e espanta todo e qualquer turista. Quando fecho os olhos e penso no nosso Centro Histórico, imagino um lugar onde uma bomba foi detonada e espalhou por todos os lados, pedaços de entulhos, junto com pessoas, comercializando o que bem entendem, sem respeito aos que andam pela rua e tornando um dos nossos cartões postais em um lugar poluído pela ilegalidade.


Saindo da Rua da Praia, mas continuando no Centro, a Salgado Filho, que é o fim da linha de inúmeros ônibus (que aliás, vivem atrasados), causando filas imensas de usuários e outras grande confusões, dão espaço aos vendedores de frutas e verduras que tomaram conta das calçadas, das rampas de acesso aos cadeirantes e que impedem que pessoas cegas, por exemplo, andem com alguma tranquilidade e dignidade. A esquina da Borges e com a Andrade Neves é o pior exemplo disso. Se não bastasse, entre aqueles vendedores, no meio de toda aquela “muvuca”, estão batedores de carteira, olheiros de ladrões, traficantes, misturados com moradores de rua que mal te deixam entrar numa agência bancária, por exemplo, carrinheiros que alocam “instrumentos” de trabalho para recolher resíduos, enfim, a desordem é tanta, que se perde a conta. Onde foi parar o princípio da dignidade da pessoa humana¿


As frutas comercializadas, são, na maioria, restos da Ceasa, maturadas, estragam antes de chegar em casa. Sem que as pessoas saibam, elas ficam armazenadas à noite, em um depósito na Praça Conde de Porto Alegre, jogadas entre ratos e baratas. Acredito que isso ninguém fiscaliza e não se sabe o porquê, assim como não se saber a razão de o empreendedor legalizado, esperar por um alvará que não chega.


Pirataria, todos sabem que é fruto de trabalho infantil e escravo, não tem qualidade, não paga tributo, consequência também, em muitos casos, do escambo do narcotráfico, cujos produtos tem marcas de sangue, e as pessoas de todas as classes sociais compram, afinal, acham que o "jeitinho" é o melhor negócio.


Cortaram 35% das horas extras dos fiscais, que não são orientados devidamente nas ações, assim como o convênio com a Brigada que está deserto há anos. E me pergunto: onde estão nossas autoridades? Fiscalizamos, denunciamos, mas...entra governo e sai governo e nada muda. Não consigo ficar calado, pois estão prejudicando com isso, todas as pessoas da nossa cidade. Não estamos abertos ao turismo, os intimidamos a andar no Centro e conhecer qualquer cartão postal. Os empreendedores legalizados estão se descapitalizando, o número de assaltos só cresce, a gritaria espanta. Ou seja, só temos ausências de ação, de policiamento, de fiscalização das leis e de direitos dos cidadãos que pagam tributos. Não nos calaremos e devemos lutar pela volta do Centro e da Porto Alegre para as pessoas.

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