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Tem vida no Centro – e é uma cidade da classe média

Atualizado: 19 de fev. de 2023


2009 – Um turista acidental registra suas impressões


O Centro de Porto Alegre é um formigueiro como todo centro de grande cidade, durante os dias de semana – mas, ao contrário do que acontece em São Paulo, no Rio, em Belo Horizonte, ele não fica deserto nem à noite, nem no fim de semana. Por uma sorte grande da cidade, a população não abandonou o Centro; há ali muitos edifícios residenciais. Reparamos isso desde o primeiro dia. Na própria Rua Riachuelo, na Praça da Matriz – onde ficam a Catedral Metropolitana, o Palácio Piratini, do governo, a Assembléia Legislativa, o Tribunal de Justiça e o Theatro São Pedro, todos os cinco poderes, contando com a religião e a cultura – e ao redor dela existem belos prédios de apartamentos, de classe média, e mesmo média alta. Por isso, o Centro não degradou. Sorte grande.

Classe média nas ruas – uma cidade da classe média. Mary e eu ficamos muito impressionados com isso. Há lugares ricos, de gente muito rica, como a região de Moinhos de Vento, mansões impressionantes em algumas das ilhas do Delta do Rio Jacuí, na Praia de Ipanema, ao Sul, e há lugares mais classe média baixa, como alguns bairros ao Sul e também ao Norte, perto da ponte móvel que vai rumo a Pelotas, Rio Grande e Chuí; e há também classe média baixa em alguns lugares do Centro, perto do porto. Mas praticamente não há miséria – a pobreza que se vê é digna. E a sensação que se tem é de que, sobretudo, Porto Alegre é uma cidade que tem uma grande, uma dominante classe média.

Fiquei pensando, à luz (ou à sombra) dos meus parcos conhecimentos, quais seriam as razões disso. Ao contrário de tantas outras grandes cidades brasileiras – como São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Salvador –, Porto Alegre não inchou demais, não teve imensa explosão demográfica, nas últimas décadas. Em parte, provavelmente, porque a população do Sul é historicamente mais letrada, mais estudada, mais desenvolvida. Em parte porque o Rio Grande do Sul tem diversas boas cidades médias, com escolas, hospitais, os equipamentos urbanos básicos que impedem o êxodo para os centros maiores. Houve êxodo de gaúchos, sim, e forte, pelo que eu saiba, mas não tanto para as grandes cidades, e sim para fronteiras agrícolas – o Sudoeste do Paraná, Rondônia, Mato Grosso, a região do cerrado em Minas e Bahia, a Oeste do São Francisco.

Um conjunto de diversos fatores, como sempre; deve haver outros, mas esses aí, sobre os quais pensei, devem ter influência no fato de Porto Alegre não ter inchado demais.

Não achei números que pudessem comprovar minhas teorias e lembranças, mas sei, ou ao menos acho que na década de 60 Porto Alegre era uma das cinco maiores cidades do Brasil – São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, essa era a relação, talvez não necessariamente nesta ordem. Segundo números do IBGE para 2008, Porto Alegre estava em décimo lugar. Salvador, Brasília, Fortaleza, Curitiba e Manaus passaram à frente.

Não tenho os números anteriores, repito, mas acho que, uns 40 anos atrás, Porto Alegre tinha cerca de 1 milhão, assim como Belo Horizonte e Salvador; em 40 anos, BH pulou de 1 milhão para 2,4 milhões, Salvador, de 1 milhão para 2,9 milhões. Porto Alegre cresceu estupidamente menos, não inchou: tem hoje 1 milhão e 400 mil habitantes.

Bom, ótimo, excelente pra Porto Alegre.

A cidade – segundo disse o guia do ônibus turístico – tem quase o mesmo número de árvores e de habitantes: 1 milhão e 400 mil árvores é coisa pra burro. E isso é visível. A cidade tem verde de fazer inveja. A quantidade de parques é um absurdo, e os parques são imensos, Ibirapueras espalhados numa área várias vezes menor que a de São Paulo.


E ainda tem o Guaíba, aquela absurda quantidade de água em crise de identidade – rio ou lago? Como acontece no Porto da Barra em Salvador, e em Ipanema no Rio, o povo vai para a margem do Guaíba ver o pôr-do-sol, especialmente na região do Gasômetro. E a margem do Guaíba é um imenso parque que se une a outro e se une a outro e vai embora, desde o Gasômetro, no limite Sul do porto, até bem lá embaixo, na região onde fizeram o monstrengo em homenagem ao pintor gaúcho Iberê Camargo. O povo vai ver o Guaibão tingido de vermelho – só não aplaude, como às vezes fazem no Porto da Barra e em Ipanema, mas vai.

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