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Um parque imenso e um Parcão menor

Atualizado: 19 de fev. de 2023

2009 – Um turista acidental registra suas impressões


Em termos assim do nível sócio-econômico de seus passageiros, os Noivas do Caí estão para o Cisne Branco exatamente como o Parque Farroupilha, ou melhor, Redenção, está para o Parque Moinho de Ventos, ou melhor, Parcão. O Farroupilha-Redenção é maior e mais central; naquele sábado, os freqüentadores eram, na maioria, classe média-média ou média-baixa, gente mais simples. No belo, detalhado e bem escrito roteiro que tinha nos enviado, a Vivi, porto-alegrense da gema, o sobrenome Kulzcynski para comprovar, tinha dito que o Farroupilha-Redenção estava meio caidaço. Não nos pareceu caidaço; é um belíssimo parque, com árvores gigantescas, um belo lago com pedalinhos, um mini-zôo e, como os demais parques que vimos, com o europeu e absolutamente salutar costume de não botar cimento no chão – o chão é de chão mesmo. O único defeito que notamos nele foi uma certa ausência de bancos com encosto. É mantido apenas pela Prefeitura, ao contrário do Parcão, que tem empresas particulares como co-patrocinadoras, mas estava bastante limpo.

Numa das extremidades do Farroupilha-Redenção, a Avenida José Bonifácio – onde há os prédios gigantescos e bem antigos de uma escola militar por onde devem ter passado os gaúchos ditadores do golpe de 1964 –, aos sábados funciona uma imensa feira de artesanato, a Brique de Sábado. Tudo muito organizado, com barraquinhas todas iguais, colocadas no canteiro central da avenida, os expositores com crachá da Prefeitura. Várias pessoas nos disseram que a feira dos domingos, que ocupa também uma das pistas da avenida, é muito maior que a Brique de Sábado.


Então: o Farroupilha-Redenção é um belo parque. Mas o Parcão é mais granfo, mais finório, em tudo por tudo. Fica bem no meio do bairro Moinhos de Vento, no alto de um morro – Porto Alegre é uma cidade cheia de morros; Roma tem sete colinas, mas Porto Alegre, tchê, tem bem mais, parece que 27. O Parcão também é bem grande, com várias áreas para crianças, quadras para esportes, muita árvore, muito banco com encosto, na sombra e ao sol, bom pra namorar ou pra ler, um laguinho bonito com patos, garças e uma infinidade de tipos de passarinhos de diversas cores que já se habituaram com os vizinhos humanos e passeiam pertinho deles. A sem-cerimônia dos pássaros gaúchos em chegar perto da gente impressionou a Mary.

Os porto-alegrenses que freqüentam o Parcão – Vivi tinha nos avisado disso, com o advérbio perfeito – fazem jogging enlouquecidamente. De fato: fazem jogging enlouquecidamente, alucinadamente, loucamente, insanamente. Centenas de neguinhos de classe média para média-alta, desde jovens até senhores e senhoras de mais de 60, 70 anos, andam e correm pra lá e pra cá como se aquilo fosse a coisa ao mesmo tempo mais prazerosa e mais obrigatória da vida. Fiquei exausto de vê-los.



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